Tony Orrico
(Fonte: congestus)
Texto, narração e direção de Jean-Luc Godard
“De certa forma, medo é a filha de Deus, redimida na noite de sexta-feira santa. Ela não é bela, é zombada, amaldiçoada e renegada por todos. Mas não entenda mal, ela cuida de toda agonia mortal, ela intercede pela humanidade.
Pois há uma regra e uma exceção. Cultura é a regra. E arte a exceção. Todos falam a regra: cigarro, computador, camisetas, TV, turismo, guerra. Ninguém fala a exceção. Ela não é dita, é escrita: Flaubert, Dostoyevski. É composta: Gershwin, Mozart. É pintada: Cézanne, Vermeer. É filmada: Antonioni, Vigo. Ou é vivida, e se torna a arte de viver: Srebenica, Mostar, Sarajevo. A regra quer a morte da exceção. Então a regra para a Europa Cultural é organizar a morte da arte de viver, que ainda floresce.
Quando for hora de fechar o livro, Eu não terei arrependimentos. Eu vi tantos viverem tão mal, e tantos morrerem tão bem.”
“Ser posto à margem não me fará aceitar, eu não vou aceitar. É necessário mais do que conveniência para me guiar. Num caminho feito com mentiras fáceis você fecha os olhos para se sentir melhor. É necessário mais do que conveniência para me guiar. Quanto menos você pergunta, quanto menos você entende, quanto menos se esforça, mais você está morto. O vazio interior mostra a falta de paixão para a vida (eu preferiria ter uma vida de incertezas do que uma pseudo-felicidade baseada na falta de interesse e paixão para entender o porquê).”